Fui ficando alheia. Laqueada para certas coisas, certas pessoas. Fui me arremessando no que a vida foi dando, deixando de sentir o que ela ia tirando. Sempre descartando, sabe? Esquecendo que é preciso conservar pessoas, guardar sentimentos... Até que só consegui enxergar em mim uma pessoa vazia, ainda que cheia. Vazia de ti. Cheia da falta que sentia. Cheia da amargura que era caminhar sem olhar para trás. Sem se quer dizer adeus. Fui acumulando lágrimas, ainda que me sentisse seca. E sabe o que mais machuca? É ver que não vou mudar. É ver que não quero mudar, porque todo este drama absurdo que se tornou meu viver me fez querer continuar vivendo. Pisando no que me tornei e abrindo estas todas feridas que nunca se cicatrizam. Por minha culpa apenas. Porque as vivo rasgando, cutucando, tirando a casca. A dor vicia, Amor. E me transformei nesta pessoa que sorri para as borboletas, mas que faz cara feia para as pessoas. Transformei-me em espinho, diante de todas as flores. Sou toda errada me sentindo a certa, entendes? Privei-me de ti, de mim. Do que acreditava que poderia me fazer melhor, do que me completaria diante de tantos pedaços partidos. Mas está tudo bagunçado, confuso. Já me perdi nestas palavras tão conhecidas, dolorosas e olhes tu, aí. Sem ainda conhecer o que se passa em meu peito. Sem conhecer o que está quebrado, ainda que não possa concertar. Mas lhe perdoou. Perdoou-lhe porque é amor e por ser amor, mantenho-te por perto, apesar da mania de sempre querer me curar as feridas.
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quarta-feira, 6 de julho de 2011
domingo, 10 de abril de 2011
De todo o meu medo.
Tenho esse medo de não ter sido suficiente. Tenho esse medo de olhar e não ver, de falar e não se ouvir. É medo dos sentimentos, das palavras. É medo de gestos esquecidos, esperados. Eu tenho medo de ter tanto medo, de só ter vontade de me deitar, vontade de fechar os olhos e somente imaginar a vida como eu realmente quero. Tenho medo de não querer mais sorrir e nem ter lágrimas suficientes para chorar.
É tanta a dor, que eu já tenho medo da falta dela. Medo de não ter mais nada [ninguém] em que me agarrar, pois eu sempre precisei de um motivo para seguir em frente. E eu tenho medo de perder as poucas pessoas que me preenchem um pouquinho. Tenho medo da falta de conversa, da falta de união com aqueles que me colocaram neste mundo. Mas tenho um medo ainda maior de poder dizer tudo isso que às vezes me atrevo a colocar em um papel.
Eu confesso: metade de mim tem medo das minhas próprias ações, pensamentos. Sei que gosto do meu lado sombrio e que me dói todas as vezes que provoco mágoa ou decepção, mas é só mais uma parte de mim. E me desculpe, mas ainda tenho esse medo aqui dentro. Medo de gritar, medo de me jogar, me entregar. Tenho medo de dizer não, de dizer o sim. Tenho medo de sentir medo e viver assim é difícil, mais ainda do que o medo da morte. Por isso, por contraditoriamente amar todo esse medo, continuo vivendo. Vivendo e me machucando, à medida que caio, à medida que me perco... Que te perco. À medida que tenho medo de amar e ainda amo, com tudo que tenho.
É tanta a dor, que eu já tenho medo da falta dela. Medo de não ter mais nada [ninguém] em que me agarrar, pois eu sempre precisei de um motivo para seguir em frente. E eu tenho medo de perder as poucas pessoas que me preenchem um pouquinho. Tenho medo da falta de conversa, da falta de união com aqueles que me colocaram neste mundo. Mas tenho um medo ainda maior de poder dizer tudo isso que às vezes me atrevo a colocar em um papel.
Eu confesso: metade de mim tem medo das minhas próprias ações, pensamentos. Sei que gosto do meu lado sombrio e que me dói todas as vezes que provoco mágoa ou decepção, mas é só mais uma parte de mim. E me desculpe, mas ainda tenho esse medo aqui dentro. Medo de gritar, medo de me jogar, me entregar. Tenho medo de dizer não, de dizer o sim. Tenho medo de sentir medo e viver assim é difícil, mais ainda do que o medo da morte. Por isso, por contraditoriamente amar todo esse medo, continuo vivendo. Vivendo e me machucando, à medida que caio, à medida que me perco... Que te perco. À medida que tenho medo de amar e ainda amo, com tudo que tenho.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Confusa.
Eu tenho essa dúvida de seguir ou não em frente, com despedidas ou não despedidas. E eu tentei me justificar, dar razão as minhas ações e estou meio perdida em meio a essa bagunça que se tornou minha vida. Não sei o que sentir, nem o que dizer. Não sei quais perguntas fazer ou o que esperar de quem eu amo. Fiz escolhas bruscas, deixei pessoas maravilhosas e agora estou entre o sentir e o viver. E o pior é que dói e eu sei que adoro todo esse drama em que entrei e que me consumiu por completo. Eu quero me sentir assim, por isso escolhi, mas também seria bom me sentir bem, sem todas essas dores e esse vazio que ficou aqui em meu peito, que só aumenta, aumenta e aumenta. Não tenho mais aquela vontade de chorar ou de sorrir, acho que estou entrando num momento neutro. Só respiro, só olho e me lembro do que passei. E continua doendo, mas sei que não vai doer mais, amor. Não vai doer e não vou sentir e quem sabe, também não vou mais me lembrar. Vai restar aquele vazio. Negro, profundo e gelado. Gelado como aquele vento que nos soprou aquela noite, em que a nossa história era mais que uma despedida ou revelações improváveis. Em que eu podia sorrir e te pegar a mão e te chamar de amigo. Ou amor, ou de quem me preenchia depois de tanto tempo.
"Tenho estado sem Estado."
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Por não saber viver.
Há algum tempo, dediquei uma boa parte dos meus dias, para descrever e relatar toda uma história que se passava dentro de mim e que me afetava de uma maneira inexplicável. Cada detalhe, cada passagem e sorriso dos personagens foram descritos, colocados naquele papel como uma forma de eternizar, de mostrar ao mundo, uma história de dor, talvez de amor, mas acima de tudo, de entrega. Por que eles se entregaram e sofreram, amargamente. Mas amar é isso, verdade? O mar de rosas também se seca. E esses personagens, amantes, pensavam demais no futuro e se esqueciam de viver o presente. O conto de fadas foi se tornando realidade e quando eles decidiram abrir os olhos, viram seus reflexos mudos através dos espelhos e vidros das janelas. Eles viraram sombras. Lembranças cegas do que eu tinha vivido e guardado em lugares inexistentes
Por não saber viver, dei a vida para eles. Por não saber viver, os fiz se perderem e me levei junto. Agora os espelhos se quebraram e as janelas estão sujas. Já não os vejo. Já não me lembro. De nada.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Do passado.
Perguntei-me se encontraria alguém que me pudesse fazer sorrir na dor. E encontrei antes mesmo de obter uma resposta. Me fez sorrir. Sim. Mas também foi o que causou a dor, então, era você a pessoa certa? Talvez sim e sinceramente, espero que tenha sido. Nunca sofri tanto, mas nunca sorri dessa maneira. Você sempre foi bom em tudo. Para o bem e o mal. Eu deveria ter te agradecido por ter-me feito tão completa. Por ter feito as coisas reais e maravilhosamente intensas. E conheci todos os meus limites ao seu lado e olha, se não fiz o que você esperava, no fim, fiz o que precisava. Fiz o que devia. Por que você sabe, palavras nunca foram nosso forte. Você nunca precisou perguntar o que estava acontecendo e isso só foi uma das melhores coisas entre nós. Mas acabou. Eu não desisti da maneira que precisava, mas eu disse aquelas três palavras... O número de vezes que eu era capaz.
Não. Me. Deixe.
Você fez seu melhor em não se importar.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Ganhar ou perder.
Às vezes eu fujo. De mim. Dessas todas palavras acolhedoras e sinceras. Vindas da saudade e da vontade de dizer mais uma vez que eu tentei, coração. Tentei me manter longe do que te faz bater tão rápido. Do que te faz parar e do que te esmaga. E me cansei de correr. Meus pés estão inchados e já não tenho mais fôlego. Quero me sentar e respirar. Quero parar de pensar e ainda quero poder sorrir com esse amontoado de lembranças boas. Ruins.
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